O amor desiste

07:12

casas nos morros de florianópolis

Morros e pedras enormes fazem parte da paisagem de Florianópolis. Casas de ricos e pobres estão penduradas sobre eles. É a igualdade ainda que irregular. Você está ali, apenas de passagem, apenas admirando. Se pergunta como foi possível colocar uma casa tão firme em um lugar daqueles...
Não deve ser nada fácil construir coisa qualquer em cima daqueles morros e pedras, admito. No entanto, ignorando as dificuldades, a paisagem estabelece certa paz e conforto.
Há sempre aquele frio no fundo do estômago como quem espera pelo pior em um piscar de olhos. Porém, logo passa. É besteira. As casinhas continuam fixas e as pessoas circulam pela ilha em movimento constante.
É assim que deve ser. Pessoas vão e voltam se quiserem. E é impossível não olhar para aquelas pedras enormes sem imaginar o quanto se aplicam a nossa vida diária.
Há pessoas que despejam tanto sobre as outras que deixam qualquer sentimento soterrado. Depois, pedem para que saiam lá de baixo ignorando toda a força que lhes custa.
São pedras. Pedras enormes sobre pessoas diminuídas. Os gritos, as palavras amargas e a falta de compaixão estão sobre você agora. Você não quer mais sair de lá e que venham as pedras, não importa. Está difícil de aguentar de qualquer forma.
Mais uma, mais outra... De repente, para. Não há mais gritos ou pedras caindo. Você continua lá, diminuído e desfigurado por todo o peso. Vem o silêncio, a calmaria. E como se nada tivesse acontecido, tentam te arrancar das profundezas. É difícil para você, mas nunca pra quem grita. Ele não viu as pedras. Não sentiu quanto doem. Está sobre todas elas no mais alto morro.
Uma palavra de carinho talvez alcançasse você. Tiraria pedra por pedra até chegar a você. Mas, estão te puxando. Você queria ouvir por uma vez apenas: “Me desculpe”. E toda a dor desapareceria. Mas, não há arrependimento. Ignorar parece o caminho fácil. Sem a vergonha de admitir que esteve errado, que magoou alguém.
As pedras continuam ali, se não for capaz de tirá-las logo aprisionará quem tanto diminuiu. Será impossível voltar atrás e resgatar o sentimento que soterrou. Uma pequena atitude com aquela palavrinha simples, podem salvar... Você vai dizer?
Não diz. O orgulho cega e perdemos quem mais nos ama, quem mais nos tolera. Sabe aquela frase que diz que “o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”? É real, mas só funciona quando se aplica aos dois lados. Quando os dois lados sofrem, creem, esperam e suportam.
Não há um amor de mão única. Não há um amor que sofre pela indiferença, que crê na reciprocidade, que espera na ausência ou que suporta a traição. Esse amor bíblico é o amor conjunto. É aquele que sofre, crê, espera e suporta tudo porque tem união. Não é perfeito, mas perdoa porque se arrepende.
Amar sozinho é impossível. Engana-se quem pensa que quem ama não desiste. Que pode pisar no outro, que pode usar o outro que nada vai desgastar o sentimento. O amor desgasta quando não tem amor de volta pra repor o que se dá ao outro. O amor desiste porque estar sozinho não é relação. O amor desiste porque não se pode amar por dois.

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